O Instituto Paranaense de Arte (IPAR) abre seu calendário de exposições para 2010 com a mostra Tempestade. A exposição mexe com os sentidos do visitante ao levá-lo a uma viagem por paisagens de todo o mundo, como Finlândia, Nigéria e Antártida. As instalações contêm som ambiente e imagens em tamanho real, que retratam de forma chocante o modo como o homem recebe as mudanças climáticas. A exposição começa nesta quinta-feira (11) e vai até 9 de abril, no Museu da Gravura Cidade de Curitiba (que fica no Solar do Barão).
Todos os artistas que participam da exposição se apoiam na criatividade e na interpretação dos fenômenos para dialogar com o público.
O artista alemão Kalle Laar, por exemplo, instalou um microfone no glacial Vernagtferner nos Alpes austríacos, que fica a 3.000 m de altitude e utiliza o som para mostrar o ruído do riacho que se formou por causa do derretimento do gelo.
Outros trabalhos lidam com a luz, vinda dos ciclos do sol, outros com o tempo congelado e o branco vazio das terras gélidas da Antártida. O artista nigeriano George Osodi realizou uma pesquisa das condições apocalípticas na produção de petróleo no delta do Níger. Já o holandês Guido van der Werve mostra como o um navio quebra-gelo persegue um andarilho solitário no congelado Golfo da Finlândia, enquanto que o brasileiro Marcellvs L. é testemunha de uma tempestade na costa do Mar do Norte.
O uzbeque Alexander Nikolayev e o inglês Simon Faithfull adentraram no território da cordilheira do Hindukush e encontraram na Antártida inóspitos desertos de gelo. Na linha oposta, o espanhol Eugenio Ampudia e o americano Reynold Reynolds, em seus trabalhos, vêem o mundo sucumbir num mar de chamas. Já o alemão Michael Sailstorfer incendeia uma choupana de madeira, até que no fim somente sobra a estufa incandescente.
As obras foram reunidas durante dois anos de pesquisa pelo curador geral da exposição, Alfons Hug, crítico de arte alemão, reconhecido nos cinco continentes por seu trabalho de investigação e crítica da Arte Contemporânea. Durante o período, ele visitou estúdios de artistas consagrados do mundo todo para analisar e selecionar material relacionado ao conceito da mostra.
A ideia da exposição surgiu em função das mudanças climáticas que vêm ocorrendo nos últimos anos: o que era de todos passou a dizer respeito apenas a especialistas. Entretanto, afirma Hug, as qualidades metafísicas e simbólicas do tempo não podem ser apreendidas em gráficos e levantamentos estatísticos. “As mudanças climáticas, sejam elas causadas pelo homem ou pela natureza, sempre vêm acompanhadas de mudanças culturais: muda a atitude que temos em relação a nós mesmos e ao próximo; o corpo e os sentidos são expostos a novas experiências”, diz o curador.
Sobre o IPAR – O Instituto Paranaense de Arte (IPAR) é uma instituição cultural, sem fins lucrativos, com sede em Curitiba, fundada em julho de 2000 por membros da comunidade artística e colecionadores de arte de Curitiba. Presidido atualmente pela arquiteta Luciana Casagrande Pereira, a entidade tem a missão de promover ações que valorizem a Arte como expressão da cultura e do patrimônio cultural, e ainda como meio para promoção do meio ambiente e do conceito de desenvolvimento sustentável. Para atingir seus objetivos, o Instituto Paranaense de Arte mantém parcerias com instituições públicas e privadas, no Brasil e no exterior. É o IPAR que organiza o principal evento de Artes Visuais no Paraná, a Bienal VentoSul, que reúne trabalhos de artistas de diversos países. Em 2011, será realizada em Curitiba, com curadoria geral do renomado crítico de arte Alfons Hug, profundo conhecedor da produção artística atual. O IPAR na internet: http://www.ipar.org.br.
SERVIÇO
Exposição Tempestade
Local: Museu da Gravura Cidade de Curitiba.
Endereço: Solar do Barão (Rua Pres. Carlos Cavalcanti, 533).
Período de Exposição: 11 de março a 4 de abril de 2010.
Horário: de terça a sexta, das 9 horas às 12 horas e das 13 horas às 18 horas; aos sábados, domingos e feriados, das 12 horas às 18 horas.
Curadoria geral: Alfons Hug.
Curadoria Nacional: Alberto Saraiva.
Artistas: Michael Sailstorfer/Jürgen Heinert (Alemanha), Reynold Reynolds e Patrick Jolley (EUA), Alexander Nikolayev (Uzbequistão), Simon Faithfull (Inglaterra), George Osodi (Nigéria), Guido van der Werve (Holanda), Eugenio Ampudia (Espanha), Lutz Fritsch (Alemanha), Laura Vinci (Brasil), Marcellvs L. (Brasil), Kalle Laar (Alemanha).
Entrada Franca.
FICHA TÉCNICA
Curadoria geral - Alfons Hug
Curadoria Nacional - Alberto Saraiva
Assistente de Curadoria - Paz Guevara
Produção Executiva - Luiz Ernesto Meyer Pereira
Produção - Mateus Farinon Ferrari de Souza
Comunicação Visual do Espaço - Mateus Farinon Ferrari de Souza
Identidade Visual - 19 Design
Realização - Instituto Paranaense de Arte, Instituto Goethe, Oi e Fundação Cultural de Curitiba
Apoio - Oi Futuro e Hotéis Slaviero